segunda-feira, setembro 12, 2016

Nós somos nossos passados.

Então aquele relacionamento eterno acaba. Um ano, dois, cinco ou vinte... Depois de tantas conversas, planos, panos e músicas compartilhadas, aquele relacionamento eterno simplesmente acaba.
Na era digital, do instantâneo, do passageiro, memórias e marcas parecem ser facilmente deletadas. Opções, Excluir. Sumiu.
Parecem.

Podemos, por inúmeros motivos, querer sumir com todas as memórias de nossos passados. Podemos deletar as fotos daquela viagem juntos ou o rasgar o poema romântico cafona que escrevemos, podemos até mesmo cobrir aquela tatuagem ridícula em homenagem à ela.  No entanto, por mais engavetado num canto escuro da mente que acreditemos ter deixado nosso passado o fato é que nós somos nossos passados.

Nós somos todas as pessoas por quem passamos, somos todos os filmes que assistimos, somos todas as lasanhas que comemos, todos os amores que vivemos.

E amor não deixa de "ter sido" só por ter acabado. O passado não se apaga e ele é lindo. Lindo pois nos fez exatamente o que somos, nos deixou exatamente onde estamos e nos levará exatamente para onde queremos ir - demore o tempo que for.

segunda-feira, dezembro 28, 2015

Tenha filhos.


Tenha filhos, tenha filhos, tenha filhos, tenha filhos... TENHA FILHOS.
Seja mãe, seja mãe, seja mãe, seja mãe... SEJA MÃE.

Nos disseram para sermos mães, nos mostraram mulheres felizes com barrigas enormes e bebês que nunca choram ou ficam doentes. Nos contaram que partos doem, mas que "seremos mãe e logo não nos lembraremos". Jogaram a obrigação da maternidade sobre nossas cabeças sem nos dar escolha. Desde sempre.
"Tenha filhos, menina. Tenha filhos!". 
Nos obrigaram a sonhar com bonecas e nos fizeram acreditar que a maternidade é uma grande brincadeira doce. Montaram uma maternidade irreal e inatingível e nos fizeram desejá-la ou sentir toda a culpa por não fazê-lo.

Mas, miga, vem cá. Deixa eu te contar duas coisas:
1- Você não é obrigada a ser mãe. É sério isso. 
Ser mãe não é como respirar ou pensar, você vai ficar ok sem a maternidade, eu juro. Nunca, jamais, nunca mesmo, aceite a culpa ou julgamentos por não sonhar com berços e fraldas... Seu corpo é seu, só seu e quem decide seu caminho é você.

2- Mas se você realmente quiser a maternidade, como eu quis, já saiba que não será fácil. 
Não será uma brincadeira doce. Não será como um comercial de fraldas onde o bebê sempre acorda "sequinho" e sorrindo e a mãe, com o cabelo impecável, já estará lá do lado, só esperando. Não: você provavelmente acordará depois do bebê que estará chorando lá do berço, com a fralda vazada. Você provavelmente não se esquecerá completamente da dor no segundo seguinte ao parto e talvez nem chore quando ver seu rebento pela primeira vez. É provável também que você fique triste nos primeiros meses, diferente daquele filme onde o baby é o final feliz. 
Isso não quer dizer que você não tem coração ou será uma má mãe. Só quer dizer que você é humana e a vida não é um comercial da Johnson&Johnson. 

Então, querida, eu te peço não se culpe pelas regras que te impuseram. Não se torture. Por favor, não se torture por não ser o que esperam de você.
Ser mãe deve ser uma escolha e uma escolha bem pensada, pois acredite, ser mãe é muito mais difícil do que parece.

E nem vamos falar sobre paternidade aqui, pois isso já é motivo para outro textão.

terça-feira, fevereiro 03, 2015

As quintas-feiras e a descoberta do amor.

Era 25 de setembro. Era quinta-feira.

Ela trabalhava quando lhe ocorreu pela primeira vez a possibilidade: estava atrasada, era normal. Mas não desta vez, desta vez havia algo diferente.

Saindo, resolveu: "Melhor fazer o teste".
Fez.

Em casa, seguiu todos os procedimentos acompanhada de perto por aqueles olhos-mel, tão insistentes e ansiosos quanto os dela. E travou.
Dois traços. Positivo.

Ele a olhava com um sorriso bobo. Ela o olhava em pânico eminente.
"Você sabe quanto custa a mamadeira? E a chupeta? A fralda?". Mais pânico.
"Compre mais um teste, pode estar errado", era quase uma súplica do pavor da falta de preparo.

Ela sempre dissera - e pensara - que gerar uma vida fosse seu maior sonho, também porque até o momento pensava ser sua maior impossibilidade. Mas ver-se ali, de frente para o peso de responsabilidades mal contadas e planos ofuscados realmente a paralisara.

Ficou naquela posição por mais bons 30 minutos. Olhando o nada enquanto aqueles olhos-mel, ainda insistentes mas não mais ansiosos lhe diziam que tudo ficaria bem e seria lindo. E uma mescla de medo, culpa e amor começaram a inundá-la.
Obrigou-se a levantar e tomar banho.
Correu para internet. Aquele seu amigo nunca mentiria: GOOGLE. "Falso positivo", ela digitou com dedos de esperança.

Havia uma possibilidade mínima devido à alguns remédios que tomara, mas tão mínima quanto ganhar na loteria e ela nunca fora adepta aos jogos de aposta.

Foi ao médico na segunda-feira seguinte só para confirmar: Positivo. "Parabéns, mamãe!", as enfermeiras disseram.

E agora já sabia sorrir. O pânico fora quase todo diluindo - parte pelos olhos-mel, parte pela perspectiva de um pequeno guri encher-lhe a vida.
Não estava mais só. Nunca mais estaria só.

...
Era 25 de dezembro. Era quinta-feira também. Eram 19 semanas.

Seu bom e velho amigo Google já lhe disse que já naquela época o pequeno em sua barriga estava a aprontar das suas, mas até o momento não conseguira sentir mais do que uns poucos repuxõezinhos muito semelhantes ao efeito que, imaginava, fariam borboletas ali aprisionadas.

Começava a se acostumar com isso.

Em um almoço de família, no entanto, o que eram apenas sinais leves da presença de seu amor, tornou-se algo forte e palpável. Seu primeiro chute visível, seu primeiro "Olá" gestual.

E seus olhos encheram-se de lágrimas. Era real, afinal.

...
Era 29 de janeiro. Novamente, quinta-feira. Eram 24 semanas.

Há duas semanas marcara o tal "ultrassom-morfológico".

Era a segunda vez que se viam. Ela, os olhos-mel e o pequeno cesto de amor.
Ela decidira não saber o sexo. Ele queria.

Primeiro uma sensação gelada na barriga e começou:
A cabeça. O tronco. O coração. As mãos mexendo. As pernas chutando.

"É uma menina", a médica não conseguiu esconder.

E a reação involuntária fez-se presente em lágrimas e no sorriso bobo que transbordava - de novo - amor.

...
E desde então canta sem parar:
"Das 7 bilhões de pessoas que existem no mundo
Quem eu mais quero abraçar?
Mariá, Maria com acento no A
Mariá, Maria com acento no A"

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

Um fragmento velho

- Uma hora a gente cansa, sabe? O corpo pede pausa. Não consigo entender como algumas pessoas passam anos nesses dias tumultuados, de luzes baixas e cores piscando. Essas cores me deixam atordoada. E como perdem a consciência...
- Isso me soa como falso moralismo. Você mesma, acaba de beber bons copos de cerveja.
- Sim, sim, mas são coisas isoladas. O que não entendo são os excessos repetitivos, o tempo que passam sem saber o próprio nome. Me cansa.
- Você é velha.
- Tenho que concordar. Envelheci com muitos anos, ouso dizer décadas, de antecedência. Criei aversão à tumultos, pessoas alteradas, música alta e luzes coloridas, tudo que agora há lá embaixo. Pessoas querendo se mostrar, ser mais que outras.

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Tão (mero estilismo)

Eu os observava a meia distância quando chegaram.

Ela primeiro,
Depois ele.

Tinham tanto de mim que me interessei de pronto e desavergonhado pela conversa que rapidamente travaram.
Aproximei-me.
Tão absortos um no outro que mal pareciam ter consciência da mesa que os separava, não reparam quando inclinei um pouco mais a cadeira para ouvi-los.
(Tão próximos... Não podiam ver todo o peso de minha presença, as Escolhas)

Ela trazia aquele tom dourado-avermelhado nos cabelos, o mesmo que eu ostentava até pouco tempo atrás. Ele, uma cara rota que tanto me apetecia e com a qual topara tantas vezes em outra vida. A vida dela naquele momento.
Estavam tão próximos, alheios a distância física.
Ela, Dourada, se mexia no incômodo de quem não deveria estar ali – embora, visivelmente, desejasse tanto estar exatamente ali. Será que ele percebia?

Frente a frente, ele lhe dissera tudo.
Motivos para ir e vir foram despejados de modo desajeitado sobre a mesa, tão palpáveis e próximos quanto os copos de cerveja que sincronizada e lentamente eles esvaziavam.

Será que ele percebia quanto o espaço de tempo que eles mencionavam com frequência a fizera mudar para a forma mais fria de uma moça? Eu via.
Eu via mais. Via o estrago das palavras, via o buraco que deixou tanta informação.

Ele se levantou. “Banheiro”.
Ela ficou.
Por alguns minutos, esteve a rabiscar a mesa com os dedos. De certo absorta no buraco que eu vira. Eu via. Ela talvez não – ainda não.

Exultante. Descobrira em fim, o problema nunca fora os erros dela. Foram os acertos a causa da distância de tempo, dizia ele. Roto.

Entendem o que digo? Ela esperara tanto tempo por aquelas respostas e vê-las cair assim, tão inesperadas em seu colo era realmente... realmente... estranho.

Sempre fechado, sempre mistério. Indescritível até para mim, o Futuro, vê-lo livre de sua armadura reluzente.
Mas e agora? O que fazer com o que passou?
Nada, foi o que me lembro dela ter feito. É, eu lembro.

Já se passara um mês e algumas perguntas ainda permanecem insistentes para ela. E se fosse agora? E se fossem livres das responsabilidades das escolhas feitas no escuro ignorante do sentimento?
O que ele teria feito, posto que ela estava a mercê de suas escolhas?

Ela sacudiu a cabeça como quem sai de um sonho quando o viu voltar. Talvez fosse o choque corriqueiro de sua presença, talvez fosse para sair do mundo paralelo em que se postara.

Se levantaram, pagaram a conta e caminharam juntos. Tentei segui-los, mas algo na postura dela me mostrou que o interessante daquele dia acabara ali. Junto com as dúvidas que ela afogara em duas garrafas de cerveja.

Fiquei a pensar no quanto o orgulho e os desencontros de palavras alteram o rumo de nossas vidas.

terça-feira, junho 04, 2013

Aos anjos.

Um brinde às pessoas que saem de nossas vidas e deixam um espaço vago, buraco impossível de ser preenchido, falta que jamais será sanada.
Um brinde aos amigos eternos que se fazem presente longe ou perto. Aos amores não acabados que sempre hão de ser amores reais nos universos paralelos que se criam a cada encontro.
Um brinde aos anjos benéficos que ainda passageiros e apressados, fazem notar sua falta (e falta!). Aos confortadores de almas carentes, aos sinceros de espírito e aos loucos.
Um brinde maior ainda aos que são tudo isso e desse modo fazem gravar no peito seus nomes em letras garrafais, só para contar histórias que não se repetirão jamais.
À esses, sempre vos amarei.
(Aos meus anjos, àqueles que se foram do convívio e se fazem presentes na alma. Eu SEMPRE vos amarei)

segunda-feira, abril 15, 2013

Pudor do tempo.

Talvez sumir ou esquecer fosse o melhor, em um lugar distante do todo ou alguma noite atrás. Foi-se...
É da distância entre os olhos que eu falo, dessa distância entre almas que fere os corpos e afoga nos copos. Dos copos anoitecidos em finais de semana perdidos em asfaltos amontoados de intenções sujas, das faltas amanhecidas em cigarros molhados de arrependimentos falhos. Mais ainda!, é dessa falta de sorriso mútuo, de simpatia sincera e abraço quente de que falo.
Ê espaço incompreensível que o tempo, sem o menor pudor, adora deixar no peito dos que são suscetíveis ao sentir (a dor).

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Deus dos azuis.

É a musica em sincronia com as ondas, as luzes da cidade num sexo explícito com os mais belos azuis do céu, o vento brando que refresca a pele e paz. Só paz de natureza, que toca a'lma com leveza e calma, e munida de toda bondade do mundo te invade e faz de você sua morada. Até que tua alma transborde amor.

quarta-feira, novembro 28, 2012

Apenas uma opinião.

Por que projetos de prevenção as drogas não têm funcionado?
As drogas não chegam em jaquetas de couro motorizadas munidas de frases como "é maior barato", "fuma aí bicho", "pega nada" ou outras cenas oitentistas como ainda pensam os cabeças de tais projetos. Elas surgem, junto com escolhas. Escolhas essas que derivam de influências muito mais indiretas e menos superficiais do que se pensa... São problemas familiares típicos da geração XXI, anseios absurdos - que por sua vez surgem das incontáveis influências sensacionalistas -, liberdade mal direcionada, falha administração - seja familiar, escolar ou estatal -, e outros tantos fatores não vistos.
Fato é que os jovens estão a anos luz de seus orientadores.
Fomos engolidos por um mundo mais cruel e claro, no entanto, tal acontecimento parece não ter feito alarde aos olhos dos chamados mestres que ainda tratam a questão como deveriam ter tratado nos anos 80, quando as cenas primeiramente citas poderiam ser corretas.
Atualmente, sabemos a teoria, causas, efeitos e consequências, no entanto "na prática, a teoria é outra".
Não trata-se da falta de informação, mas excesso de informação falha.

Apenas programas sinceros, feitos após um estudo real e não-tendencioso seriam verdadeiramente funcionais.

sábado, junho 16, 2012

Breve observação sobre amor mal acabado.

Encontro uma beleza incrível nesses amores mal acabados, tão reais e trágicos. Bonitos e talvez até insinceros, mas sempre tão irresistíveis. Deliciosos e profundos, pauta para tantas descrições apaixonadas e minuciosas.
Fato é que sentimos prazer na dor, nessa dor em específico. E talvez seja esse o ponto mais bonito, o prazer que há na dor dilacerante que, por vezes, desejamos.